
construí a minha arca da aliança: receptáculo,
oratório, reservatório: aqui, onde a luz atinge
a torre, a minha cabeça, tenho um vazio
estomacal, uma sombra de luz. Não tenho onde
construir-te, física e espectacularmente, apenas
os pilares da minha memória, a subjectividade
de cada lobo, a complexidade de cada sinapse.
Aqui. Nos meus braços tenho as marcas da tua
passagem, da tontura branca que deste e deste e deste
sempre, ininterruptamente, veloz. Se pudesse criar
um mundo, um outro, tu serias a vertigem inata,
do meu corpo contra a gravidade.
Aqui, as horas são recém-nascidas e o tempo é sempre
mais do que aquilo que quero. Onde plantar a semente
(tua) que trago debaixo da língua?
Entre as lágrimas do teu corpo e a saudade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário